Por que devemos celebrar o Dia da Mulher?

Por que devemos celebrar o Dia da Mulher?

Quantas vezes você já desejou Feliz Dia da Mulher para uma representante do sexo feminino? Provavelmente inúmeras vezes no dia 8 de março de todos os anos. Talvez tenha sido automático, uma frase dita da boca para fora. Afinal, por que as mulheres merecem – ou precisam de - um dia para comemorarem o fato de serem mulheres? Na verdade, historicamente não é tão simples assim.


Ao contrário de muitas comemorações durante o ano, que têm um sentido totalmente comercial, o Dia da Mulher marca a luta em várias partes do mundo, a exigência de mais qualidade de vida e melhores condições para as trabalhadoras. A origem do Dia Internacional da Mulher não é muito clara e há algumas versões do início da celebração.


Revolução Russa


Uma das mais aceitas é a de que ela surgiu em plena Revolução Russa. Em 1917, a maioria da população trabalhadora do país era composta por mulheres. Segundo Graziela Schneider, organizadora do livro A Revolução das Mulheres: Emancipação feminina na Rússia soviética, “no caso específico das Revoluções Russas, a participação e importância das mulheres foi por questões políticas, pela dominação masculina, por serem suprimidas, ignoradas”. Grande parte dos homens do país estavam lutando na Primeira Guerra Mundial, então a força econômica da Rússia estava nos ombros delas, que eram pouco valorizadas.


A pesquisadora conta que a revolução já vinha ganhando contornos e foi em 8 de março de 1917 que uma manifestação reuniu mais de 90 mil mulheres contra o czar Nicolau II e a participação do país na Primeira Guerra Mundial. "As mulheres russas trabalhavam em condições extremamente precárias, de fome e miséria. Foram décadas de lutas, com a criação de organizações e periódicos/publicações, a realização de reuniões, a participação em eventos e manifestações, a partir de várias frentes, operárias, camponesas, revolucionárias", conta Graziela. Esse evento ficou conhecido como "Pão e Paz".

 


Triangle Shirtwaist Company


Quase uma década antes das russas se manifestarem, em 1908 houve em Nova York uma grande greve das mulheres que trabalhavam na fábrica de camisas Triangle Shirtwaist Company. A paralisação foi coordenada pelo International Ladies' Garment Workers' Union, um dos maiores sindicatos dos Estados Unidos e um dos primeiros a ter a maioria dos filiados do sexo feminino.


As condições eram precárias, com cerca de 14 horas diárias de expediente, locais insalubres e pagamento que ficava entre U$ 6 e U$ 10 por semana. Desse modo, as operárias se juntaram e reivindicaram melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária e aumento de salários, já que a diferença de salarial entre homens e mulheres era muito alta.


Em 28 fevereiro de 1909 aconteceu a primeira celebração das mulheres nos Estados Unidos, inspirado na greve do ano anterior. Mas, infelizmente, em 1911, no dia 25 de março, a fábrica pegou fogo com várias mulheres no interior do edifício. 146 pessoas, dentre as 500 que trabalhavam lá, faleceram. Desse total, apenas 20 eram homens. A maioria das funcionárias que morreram eram mulheres, imigrantes judias e algumas tinham apenas 14 anos.

 


Dia Internacional da Mulher


Depois dessas e de outras manifestações femininas – principalmente na década de 1920, em que as mulheres pediam o direito ao voto –, em 1975 a ONU instituiu o Dia Internacional da Mulher, em homenagem à luta e às conquistas das mulheres. A escolha do dia 8 de março está relacionada com a greve das operárias russas de 1917.


A Soneto, que tem um público majoritariamente feminino, e acredita na força e no empoderamento da mulher, não poderia deixar passar essa celebração à luta daquelas que vieram antes de nós e que muitas vezes deram a sua vida por acreditarem na igualdade e num mundo melhor.


Nosso recado é: Comemore o Dia da Mulher, relembre e agradeça as mulheres que combateram as regras para que hoje pudéssemos ter melhores condições de trabalho e de vida #lutecomoumagarota 


Por Teca Machado