Mulheres no Oscar 2020 - Muito além dos looks

Na noite do último domingo aconteceu a cerimônia do Oscar 2020. E ela quebrou muitos padrões. Pela primeira vez um filme não americano e não falado em língua inglesa levou dois dos maiores prêmios da noite: Melhor Filme foi para o sul-coreano "Parasita", assim como a categoria Melhor Diretor, entregue a Bong Joon Ho, da mesma produção. Além disso, uma das categorias foi anunciada por um ator com Síndrome de Down. Apesar da edição de 2020 do Oscar ter sido um pouco mais inclusiva, a Academia ainda tem um longo caminho a percorrer. Como os comediantes Steve Martin e Chris Rock disseram no monólogo de abertura, faltava alguma coisa esse ano: “Vaginas”.

A fala deles se referia a categoria Melhor Diretor não ter nenhuma mulher indicada, apesar de muitos filmes excelentes terem sido dirigidos por profissionais do gênero feminino. Ainda assim, muitos foram os momentos feministas na cerimônia. Ver quais foram: 

 

1-  Natalie Portman

A atriz bordou na capa de seu vestido os nomes de diretoras esnobadas pelo Oscar esse ano: Greta Gerwig, de "Adoráveis Mulheres", Melina Matsoukas, de "Queen & Slim", Marielle Heller, de "Um lindo dia na vizinhança", Lorene Scafaria, de "Atlantique", Alma Har'el, de "Honey Boy", e Céline Sciamma, de "Retrato de uma jovem em chamas".

Essa não foi a primeira vez que Portman se manifestou pela igualdade de gênero em premiações de Hollywood. No Globo de Ouro de 2018, ao apresentar os indicados ao prêmio de Melhor Direção, a atriz disse: "E aqui estão todos os homens indicados".

 

2-  Heroínas

Brie Larson, Sigourney Weaver e Gal Gadot — Capitã Marvel, Tenente Ripley e Mulher Maravilha -, três heroínas do cinema, subiram ao palco juntas. Larson e Gadot agradeceram Weaver por abrir caminho para elas no gênero de ação. Além disso, lembraram que todas as mulheres são super-heroínas. As atrizes apresentaram a maestrina e compositora Eímear Noone, a primeira mulher a reger a orquestra do Oscar, e o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original.


3-  Melhor Trilha Sonora Original

Coincidência ou não, quem levou o Oscar foi a islandesa Hildur Guonadottir, responsável pela trilha de Coringa, a primeira mulher a ganhar sozinha essa categoria. Mas antes mesmo do Oscar Guonadottir fez história. Foi a primeira mulher a vencer a mesma categoria no Globo de Ouro, além de levar para casa o BAFTA e o Critics' Choice Awards por Coringa e o Grammy pela trilha da série Chernobyl.


4-  Hair Love

Apesar de ser uma categoria pouco falada, esse ano o Melhor Curta de Animação foi destaque principalmente no Twitter. O diretor e ex-jogador da NFL Matthew A. Cherry e a produtora Karen Rupert Toliver discutiram sobre a importante temática da obra Hair Love: um pai aprendendo a arrumar o cabelo afro da filha, superando seu medo de cremes e produtos.  Segundo Cherry, Hair Love surgiu porque queriam ver mais representatividade nas animações e normalizar o cabelo negro. “Estar aqui, fazendo isso com cabelo negro e famílias negras, é literalmente um sonho”, falou Cherry. “E nunca imaginei em milhões de anos que ganharíamos um Oscar por isso.”

https://www.youtube.com/watch?v=kNw8V_Fkw28


5-  Learning to Skateboard in a Warzone (if you’re a girl)

Outra mulher reconhecida pelo Oscar 2020 foi a diretora Carol Dysinger. Learning to Skateboard in a Warzone (if you’re a girl) ganhou o prêmio de Melhor Documentário Curta-Metragem. Carol filma o Afeganistão há 15 anos e essa produção mostra uma classe de garotas de regiões de vulnerabilidade em Cabul aprendendo a ler, escrever e, é claro, a andar de skate. De acordo com Carol, o pequeno filme é uma carta de amor ao país e àquelas garotas.

 


6-  Jane Fonda

A atriz Jane Fonda (rainha) apresentou o principal prêmio da noite: Melhor Filme. Mas ela, que é conhecida por ser presa constantemente em protestos pelo meio ambiente, não ficaria sem fazer nada, até porque segundo estudos as mulheres são as mais afetadas pelas mudanças climáticas. Ela “reciclou” um vestido que usou em 2014, porque há alguns anos afirmou que nunca mais compraria nenhuma peça de roupa e usou joias Pomellato, porque a marca usa apenas ouro vindo de mineração ética e diamantes sustentáveis. Além disso, subiu ao palco com o casaco vermelho que costuma usar em seus protestos semanais.

 

 

7-  Abertura

Na canção de abertura, Janelle Monáe agradeceu a todas as mulheres que fizeram excelentes produções cinematográficas no último ano. E ainda salientou que estava feliz por estar lá sendo mulher, negra e queer.

 

Felizmente foi-se o tempo em que a pergunta principal que as mulheres ouviam no tapete vermelho era: “De qual estilista é esse seu look?”. Ficamos aqui torcendo para que a cada ano as mulheres - e os negros, asiáticos, queers, latinos e todas as outras pessoas que que alguma forma não são representadas na cultura pop - ganhem destaque por seu trabalho.

 

Por Teca Machado