Como lidar com o Novo Normal

Agora, final de julho início de agosto, já completam mais ou menos cinco meses de quarentena. Nunca quis comentar os perrengues, ou reclamar da quarentena porque, apesar de tudo, me sinto privilegiada nessa situação dado o agravamento, do já grave, estado de desigualdade social no Brasil, nem vou mencionar as mortes e a crise sanitária sem precedentes. Nesses meses, na timeline infinita das redes sociais, vi muitas dicas de como lidar com a quarentena, como manter seu negócio na quarentena, como vender mais na quarentena, como investir, como se manter produtivo, como se manter saudável, como não enlouquecer, como meditar, como lidar com o tédio, como não se cobrar, são tantos incontáveis “comos” que seria impossível mencionar todos. Parece trava língua, mas como tantos “comos” são possíveis em uma situação nunca antes vivida? Como lidar com tantos “comos”? Não tenho nem ideia. Nem tinha certezas dos meus “comos” antes da quarentena, imagina agora.

 

Além dos “comos” outra palavra que também está ganhando força é o “novo normal”, que não vai ser surpresa, mas também odeio essa palavra (desculpem, mas sim, esperei meses para desabafar). O que é o novo normal? Máscaras na rua, roupas mais confortáveis para trabalhar home office, cozinhar mais em casa, pedir mais delivery, maior rigor na higiene das mãos e ambientes, esquecer microfone ou vídeo ligados em reuniões on-line... Entendo que esse termo e, consequentemente, sua popularidade se deve a nossa necessidade de sermos otimistas, pois ele gera a sensação de que tudo está normal, de um jeito diferente, “novo”, porém normal. Há quem pregue que tudo isso servirá para surgir um modo de vida mais simples, mais consciente, será? Tendo a ser uma otimista melancólica, acredito que tudo pode melhorar, caso contrário não seria uma empreendedora, mas também sou muito cética com essas “modinhas” pois sempre me parecem passageiras demais, rasas de mais, fracas de mais para causar um impacto real.

 

Estou há mais de três anos à frente da Soneto, aprendi muito “comos”, mas não tenho certeza de nenhum, mas, nesse tempo, passei a valorizar cada vez mais o que há por trás de cada produto, há pessoas, há sonhos e há também muitas barreiras. Obstáculos que vão desde o financeiro; brigas com o valor, serviço e sistema dos Correios; gestão e modelo de negócio; educar o consumidor do valor agregado de uma peça de design feita NO BRASIL, e dar murro na ponta de faca que é o nosso modelo de consumo atual pautado no menor preço. Gerir um negócio, como tudo, tem sempre vantagens e desvantagens, mas o que mais atinge meu lado melancólico é: como seguir nesse novo normal? Juntar em uma pergunta dois ranços do momento que me obrigam a pensar e agir com meu lado otimista, pegar um lápis e papel, rabiscar e imaginar novas peças, coleções, editoriais....

 

De todos os “comos” tem um que preciso confessar, pratiquei muito, muito mais do que gostaria, mas que me fez muito feliz, o verbo na primeira pessoa do presente: eu como! E como comi...

- Anelise Witt