A Terra plana capota?

Quem nunca se pegou olhando para trás e pensando "Vixe Maria, como vim parar aqui? O que aconteceu com os meus planos?". Se você pensou essa frase com um tom lúgubre ou tristonho, te afirmo, não precisa ser. O zigue zague que sua vida tomou pode muito bem ter sido resultado de evoluções pessoais, culturais, familiares e etc.

Falando por experiência própria me sinto a rainha da guinada. Só no âmbito profissional meu mundo deu várias voltas. Formei com 22 anos em Administração e apesar de ter tirado muitos aprendizados dessa passagem mística pela UnB, bem pouco usei o diploma. Não me identifiquei com o curso, mas saí jurando que ia estudar para concurso e viver uma existência segura financeiramente e comedida de emoções.

Não preciso elaborar muito, mas obviamente, não deu certo. Nesse período trabalhei em um ateliê escola de costura e afirmei "é mais ou menos por aqui". Fiz minhas malas e fui morar no Rio de Janeiro para fazer uma pós-graduação em Marketing e Comunicação em Moda. Porém, lá trabalhei em uma agência de publicidade fazendo comunicação digital dos mais variados tipos de negócio. De revista de teologia a clínica de odontologia. De moda, nada.

Dois anos na cidade maravilhosa e voltei para o meu quadradinho. Voltei a trabalhar em agência e o trauma foi tão grande que pensei "nunca mais". Fiz curso de Consultoria de Imagem, de marketing, de só Deus sabe quantas outras coisas.

Até encontrar a Soneto. De estagiária a sócia em tempo recorde encontrei uma marca que eu consiga me identificar e ver potencial infinito. Mas então por que resolvi me enfiar em um curso de Design de Interiores no começo do ano?

A verdade é que não existe aquela única coisa que te preenche completamente. Nós somos uma miríade de características e temos um leque de interesses e às vezes demoramos anos para nos entendermos dentro deles. Até conseguir pisar com pé firme.

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Quando ouso me arrepender e questionar minhas decisões penso no que essa jornada me trouxe. Tenho um senso de organização e visão holística de uma empresa por causa da Administração; o cursinho para concurso me mostrou que esse nunca será o caminho para mim, não é por onde acharia minha felicidade; a pós me proporcionou conhecimentos sobre o tipo de marca e comunicação que gostaria de trabalhar e a oportunidade de um dia vir a ser sócia da Soneto; graças a agência do RJ aprendi a usar ferramentas como Photoshop e Illustrator; a agência daqui me mostrou que sou resiliente; consultoria de imagem me fez aprender outra forma de comunicação e auto conhecimento; e por fim, o novo curso me mostra que sendo criativa não preciso me limitar a uma só área e caminho.

O que aprendo todo dia com a Soneto e Anelise vale um texto avulso, deixo para outro dia.

E essas foram as voltas que eu em certo grau tive escolhas. O que fazer quando a vida te entrega situações como as que estamos vivendo agora? Não tenho poder sobre um vírus, sobre a política externa e falta de governo nacional. Do nada, tive minha rotina mudada por algo completamente fora de meu controle e tive que virar uma esquina desconhecida. Assim como todos, mesmo os que ainda persistem em ignorar as normas de segurança e bom senso.

Aí parece que no que está fora do nosso controle a gente tem que aprender a dançar junto ou em volta. A técnica do "só no sapatinho" pode ser assustadora e dolorosa, mas nos faz confiar cada vez mais em nós mesmas. Planos nos ajudam a traçar metas mais curtas e nos dar apoio, justo que os façamos. Porém, no dia que o negócio for pros ares, a asa é tua, os joelhos que te amparem e vamo que vamo!

Agradeço meus privilégios e a jornada confusa que aos poucos vai fazendo todo sentido. De duas uma: ou o mundo dá voltas ou a Terra plana capota.